OPTOMETRIA É SAÚDE VISUAL E SAÚDE NÃO É EXCLUSIVA DA MEDICINA

OPTOMETRIA É SAÚDE VISUAL E SAÚDE NÃO É EXCLUSIVA DA MEDICINA

A OPTOMETRIA

A optometria se organizou nos Estados Unidos e na Inglaterra ao fim do século XIX, e lá optometristas são reconhecidos pela sociedade no que fazem de melhor: atendimento primário à saúde visual da população.

Entende-se por atendimento primário em saúde visual uma avaliação integral e completa do sistema visual e o termo primário é dado por ser o primeiro atendimento a ser realizado na área da visão.

Na maioria absoluta dos países do mundo, o atendimento é feito por bacharéis em optometria, antes mesmo do oftalmologista. Uma estratégia consolidada em todo o mundo com aval de organismos internacionais.

No Brasil

Esse modelo tem sido desconstruído pela elite e o maior prejudicado é a população, em especial a de baixa renda. A eficácia e a acessibilidade, somada ao baixo custo são grandes aliados da optometria, e daí a explicação para sua prevalência em todo o mundo.

  • Aqui criam uma narrativa falsa, como se o optometrista fosse um charlatão. Mentira deslavada. Há sim,  exercício ilegal de profissão onde práticos estão se passando por bacharéis em optometria.
  • Mas a generalização reverberada por algumas autoridades, patrocinados por argumentos do conselho federal de medicina nos remete aos tempos coronelistas.
  • Segundo recente julgamento do STF, o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a formação de bacharéis em optometria e limitou a atuação dos práticos, o que é certo.
  • Mas o interesse corporativo de médicos pretende banir essa profissão respeitada e útil em todo mundo. Estamos de volta aos ultrapassados tempos da monocultura colonialista, desta vez na saúde visual.

Medicina é saúde. Mas a saúde não é exclusiva da medicina. Nesse contexto, muitas profissões com sólida formação acadêmica, lidam com a saúde humana sem necessariamente se formarem como médicos.

Senão vejamos. Fonoaudiólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos, psicólogos, psicanalistas, odontólogos, enfermeiros, entre tantas outras profissões de saúde, incluindo os bacharéis em optometria, são relevantes à sociedade e executam seus serviços sem se arvorarem prioritária e exclusivamente na ciência de Hipócrates.

São ciências específicas, que atuam na prevenção e promoção da saúde e no restabelecimento do bem-estar individual, que também são atribuições da medicina. Mas cada macaco no seu galho.

Nesse contexto, um bacharel em optometria lida com a saúde visual, e seu foco é

  • atendimento primário em saúde visual, especificamente nas áreas de identificação de defeitos refrativos (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia),
  • avaliação motora (alinhamento e movimentação oculares)
  • avaliação sensorial (processamento das informações visuais em nível cerebral),
  • terapias e reabilitação visual.

Quando há patologias oculares ou sistêmicas, o optometrista encaminha os casos às diferentes especialidades da medicina.

Não prescreve medicamento ou trata doenças. Ponto.

Os chamados cegos virtuais, pessoas que não enxergam por falta de um atendimento primário qualificado feito por um bacharel em optometria, tem crescido vertiginosamente, em especial pelo uso de dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores.

Estamos enfrentando além da pandemia, também uma epidemia de miopia. Muitos jovens e crianças precisam de um “aro e um par de lentes”, complementados por algumas terapias, quando necessário, já que a maior causa de cegueira evitável são os defeitos refrativos não corrigidos.

Os optometristas são os mais bem preparados para essa lida.

Mas aqui no Brasil, há um senhorio que se contrapõe à realidade mundial. São os médicos que se arvoram como únicos profissionais aptos à erradicação da cegueira virtual e intentam em criminalizar bacharéis optometristas, que hoje são cerca de 250.000 no mundo.

Na prática, querem consolidar o Brasil como país dos cegos virtuais. Imagina se essa conduta fosse aplicada contra os dentistas alegando que eles praticam a medicina e hipoteticamente requerendo pra si próprios a tutela exclusiva no tratamento da saúde bucal?

Seríamos um país de desdentados. Não faz o menor sentido. Mas é o que fazem contra os bacharéis optometristas, os “dentistas da visão”.

Não há outro caminho para combate à cegueira evitável que não passe pela optometria. A OMS avalisa a optometria, assim como a agência internacional de prevenção à cegueira (IAPB), órgãos do sistema da organização das nações unidas (ONU).

Nem mesmo é necessário desenhar a intenção retrógrada, rasa e mofada de médicos oftalmologistas. Querem a exclusividade para terem domínio sobre o estoque de cegos virtuais que se avoluma sem controle no Brasil, e assim manterem abarrotados seus consultórios.

 

Leandro Luiz Fleury Rosa

Bacharel Optometrista

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